sexta-feira, 20 de junho de 2014

HERANÇA- Cap. 02 (Parte 02)


Cap. 02 (Parte 02)

 Terminei o jantar e fui para o meu quarto, dormi bem mais cedo do que pretendia. Acordei. Vi o relógio da parede. Cinco da manhã. Já que não estava com sono para dormir mais, eu comecei a trocar de roupa para o encontro e comi um pedaço de bolo da geladeira. Meus pais acordaram, e expliquei que já tinha tomado café da manhã. 
  Estava quase terminando de ler meu livro, quando alguém tocou a campainha, olhei o relógio. Dez da manhã. Desci para abrir o portão e era Renata. Com a mesma roupa preta de sempre, e com um grande sorriso no rosto:
-Pronta? - me perguntou.
-Sim- respondi. Me despedi de meus pais e partimos para a sorveteria, quando chegamos, ela de repente falou:
-Eu pago
-Não precisa, obrigada-respondi.
-Não, querida, eu convidei, eu pago.
-Tudo bem... - sabia que não adiantava insistir. 
  Peguei um sorvete de pistache e ela de uva. Estava distraída e me assustei quando ela de repente me perguntou: 
-Então... O que conta?
-Nada demais...
-Ah, claro que você tem algo a contar, pode dizer.
-Dizer o que?
-Como foi a aula ontem?
-Mesma coisa de sempre.
-Você parece triste.
-P-porque?
-Só pensei, mas porque porque você está triste, querida?- Admito, queria conversar sobre aquilo.
-Você sabe sobre minha vida, não é?
-Sim, mas quero saber mais.
-Bom, tenho uma escola inteira contra mim, todos me odeiam sem motivo, e essa é minha novidade. 
-N-nossa. Mas, você,sei lá, já conversou com alguém sobre isso?
-Não, só você.
-Ah... Você tem alguma amiga lá?
-Não, não tenho.
-Então eu vou ser a sua. Sempre que quiser desabafar, pode falar, viu?
-Beleza...
-Como você está se sentindo em relação à isso?
-Péssima...
-Sinto muito.
-Tudo bem. 
-Confesso que não sabia que você não era tão forte.
-Ninguém fora da escola não sabe.
-Eu posso te ajudar. 
-C-como? A escola inteira contra mim, se não fizer justiça com minhas próprias mãos vou ser mais zoada e... Eu não sei o que fazer!
-Eu garanto, eu sei como te ajudar.
-Como?
-Não posso dizer agora.- Confesso, nunca tive a ajuda de ninguém e tanta gentileza, principalmente de um estranho.

HERANÇA- Cap. 02 (Parte 01)

Cap. 02 (Parte 01)

 Eu claramente não sabia me defender, e sabia que se eu brigasse com quem briga comigo, eu teria a escola inteira contra mim. E isso aconteceu. Na escola uma menina que me odiava sem motivo aparente e um menino que também me odiava (o mesmo que zoou meu desenho) parece que se reuniram para acabar com minha vida.
  Era aula de educação física (onde mais odeio, pois é incrível, sou uma vítima lá!) simplesmente me ameaçou, gritando na minha orelha:
- EU VOU BATER NA SUA CARA, GAROTA! - Como eu não aguentava mais aquilo, explodi de raiva: 
-PARA MINHA CARA FICAR IGUAL À SUA? NÃO, OBRIGADA!- Quando eu disse isso, ela me olhou como quem vê um fantasma, surpresa com minha resposta, mas de repente aquele garoto também se juntou à conversa:
-Não precisa se preocupar, Marta, sua cara já é feia, nem vai fazer diferença.
-PELO JEITO VOCÊ É MUITO LINDO ENTÃO NÉ?- berrei.
-MAIS BONITO QUE VOCÊ PELO MENOS- ele me respondeu.
Foi o suficiente para todo mundo rir de mim. Senti minha vida acabar ali.
  Quando cheguei em casa, almocei, fui para meu quarto, me deitei e chorei, já estava perdendo a alegria de viver. Eu era apenas alguém para ser humilhada, pisoteada. Meus olhos estavam inchados e vermelho. Queria apenas me afogar.
  Era sexta, não teria que ir à escola amanhã então quando desci para jantar (mesmo com uma voz trêmula) ninguém desconfiou, o que foi bom. Sábado eu teria um encontro com a Renata, quem sabe eu esfriava a cabeça?

HERANÇA- Cap. 01 (Parte 03)

Cap.01 (Parte 03)

  Sem resposta, ela agarrou minha mão e me puxou para dentro. Era bonito, com algumas janelas brancas, paredes brancas, piso azul-céu. Subimos uma escada que dava para um quarto enorme com janelas que ocupavam a parede inteira, por isso tinha muita iluminação. Do lado direito tinham alguns equipamentos estranhos e uma enorme TV, conectada com essas máquinas. 
 -Uau- exclamei
-DEEEAAAN! - de repente ela gritou, do nada, me assustando.
  Um cara de cabelos castanhos, olhos cinzentos, terno e alto entrou na sala.
-Que foi?- perguntou, aparentemente sem me notar.
-Sinto que encontrei Ela -a moça disse, apontando pra mim.
-Eu esperava mais dela- Respondeu ele, olhando pra mim, com uma expressão de dúvida (Ok, eu já estava com medo!)
-Mas é ela, Dean. Podemos questioná-la.
-Questionar o que?- perguntei, claramente assombrada.
-Coisas simples, não se preocupe, não vamos machucá-la - ele me respondeu.
-Querida, queremos que você esteja confortável, gostaria de conversar aqui ou no andar de baixo? São apenas algumas perguntas... - a moça acrescentou.
-A-aqui está ótimo, mas que tipo de perguntas vocês querem fazer...?- perguntei, já não aguentando mais aquele mistério.
-Um pouco de sua vida pessoal, com detalhes se possível, e por favor, não se assuste, não vamos fazer nada de mal com você.- respondeu ele. 
-Por que eu diria minha vida pessoal para vocês? Como e por que eu confiaria em vocês? - elevei a voz, droga!
-Pelo jeito está irritada, querida, aposto que quer voltar para casa, mas só queremos que saiba, que se você se "abrir" para nós, isso seria muito importante- dessa vez ela falou, calmamente.
-S-sim, eu quero voltar pra casa. - respondi.
Os dois suspiram ao mesmo tempo.
  A moça me levou de volta para casa, o que demorou uns cinquenta minutos, já que minha casa era longe, e até aquele tempo já deveriam ter se passado uma ou duas horas. Ela estacionou na rua da minha casa e descemos.
-Você vem comigo? - perguntei para ela, desconfiada. 
-Eu gostaria de entrar, por favor- respondeu ela.
Como sempre, minha gentileza e educação falaram mais alto e eu deixei. Peguei minha chave, abri o portão e a porta e ouvi minha mãe gritando:
-AONDE VOCÊ ESTAVA, MARTA?!- Não sei como ela sabia quem era, já que estava na cozinha. Caminhamos até lá e ela nos olhou.
-Olá, senhora, sou irmã de uma amiga da Marta, que insistiu que ela fosse almoçar na minha casa, desculpa por esquecermos sua permissão- disse a moça-que-eu-não-sabia-o-nome, respondendo à pergunta da minha mãe, tão bem que até eu acreditaria.
-Ah, tudo bem. Seja bem-vinda então- disse minha mãe, acreditando.
 Ela disse que queria conversar comigo em meu quarto, então fomos. Quando estramos, ela fechou a porta. 
-Eu ainda não sei seu nome - eu já estava me incomodando pelo fato de não saber seu nome.
-Meu nome é Renata. Eu gostaria de te pedir uma coisa- disse ela.
-O que?
-Eu... Poderia ser... sua amiga?
-Ahn, a-acho que sim...
-Ah que bom! No sábado eu vou vir aqui te buscar e vamos numa sorveteria, que tal?- ela disse isso com TANTA alegria que eu tive que concordar:
-Combinado.
-Que bom! Bom, tenho que ir, tchau- disse ela, já saindo do meu quarto.

HERANÇA- Cap. 01 (Parte 02)

Cap. 01- (Parte 02)

 Aula de matemática (só para alegrar a manhã de qualquer um) e aula de latim. Intervalo. Saio da sala, e fico na companhia de um livro. Aprendi a ficar sozinha, na minha. 
 Eu sou gentil. Sou educada. E isso é ruim. Quanto mais gentileza, parece que mais você se entrega, deixa que outras pessoas te usem.
Com isso, você finalmente cultiva ódio e sonha com maneiras de se livrar daquelas pessoas. 
  Mais aulas e finalmente o sinal da saída. Eu sei que ás vezes minha mãe se atrasa, mas agora ela anda se surpreendendo! Uma mulher de moto estaciona ao meu lado na calçada, tira o capacete e me encara. Ela é bonita: um curto cabelo preto, franja lateral olhos verdes e um corpo "violão", marcado pela roupa preta.
- Você vem comigo, garota - disse ela.
-Hã? - Respondi a melhor coisa que me veio à cabeça.
-Eu vim te buscar.
-Minha mãe mandou você vir?
-Éé... Não. Mas confie em mim.
-Eu nem te conheço
-Mas eu sim, é muto importante, por favor, sobe que eu te levo pra casa.
-Você sabe o caminho...?
-Sei, agora vamos!
   Ela me ofereceu um capacete e eu subi na garupa. Depois de um tempo percebi que ela NÃO estava me levando para minha casa. Comecei a me desesperar, Deus, como pude ser tão burra?! Agora o jeito era ela me levar para onde ela quisesse.
  Andamos uma meia longa hora e ela estacionou numa casa aparentemente abandonada, desceu e eu também.
-O-o que v-você quer comigo? P-porque não me levou para minha casa? - gaguejei.
-Calma, eu não vou te matar.
-Quem é você?
-Não quero dizer, mas você é Marta.
-Como você sabe?
-Digamos que eu andei te observando...
-O que você quer comigo?

HERANÇA- Cap. 01 (Parte 01)

Cap. 01- (Parte 01)

   Acordei para mais um dia de escola, lugar onde mais desprezo. Gosto de estudar, não gosto das pessoas por lá.
 Desde meu primeiro dia não fui perdoada. Sempre fui péssima em esportes, sou magra, fraca, lenta, sem raciocínio rápido. Foi um erro, UM!
 Não consegui pegar a maldita bola. "PRESTA ATENÇÃO, GAROTA!" "VAI SE LASCAR, TAVA PERTO" "P*RRA, SABE NEM PEGAR UMA BOLA?!" "NÃO SABE JOGAR? SAI DAQUI ENTÃO!" -Eles diziam. É claro que eu não queria jogar, eu era obrigada a jogar. Saí correndo para o banheiro, sem pensar duas vezes, me tranquei numa cabine e chorei. Fiquei marcada, de tanto julgamento. 
   Estou calçando hoje meu tênis favorito: velho, acabado, descascando,  nem é de marca. Me identifico com ele, só isso. 
   Tomo meu café e vou para a escola, com minha mãe. Respiro fundo sempre, e encaro os portões, já entrando nesse inferno. Na sala sento em minha carteira e começo a desenhar. Sempre adorei isso. Diziam que eu tinha um dom, mas não sei se era apenas para alegrar uma menina de oito anos, será que fariam a mesma coisa com uma menina de quatorze?
 Faço isso escondido, numa última vez que exibi meu desenho (nem era tão bom, melhorei com o tempo, assim como a vida, que só muda a partir de você e dela) acabou parando nas mãos de um menino que me zoou muito. Após a humilhação não chorei, mas ficou apenas mais uma ferida em mim. 

Apresentação

Welcome to my Blog <3

Obrigada por estar aqui no blog de uma simples garota que deseja escrever um livro (o que é um sonho para ela) e deseja algum dia publicá-lo. Espero que você se divirta e goste de minha história